
Vinhos
Um sonho ampliado e engarrafado no Sertão
Publicado em 17.10.2008, às 23h15
Flávia de Gusmão
Jornal do Commercio
O Vale do São Francisco está em ebulição. A inauguração, no fim de semana passado, do complexo enoturístico e ampliação da cantina da Fazenda Ouro Verde, projeto da Miolo Wine Group, no município de Casa Nova, Sertão baiano, é apenas a parte mais visível e festiva de uma fé que foi plantada por alguns visionários – e há algum tempo – neste solo que precisa, obrigatoriamente, da ajuda de homens e máquinas para florescer e frutificar.
De sete anos pra cá – quando a vinícola gaúcha Miolo comprou a Fazenda Ouro Verde das mãos do nissei Mamoru Yamamoto – o que era uma terra inóspita e vinhedos devastados deu origem à marca Terranova, que designa os produtos desenvolvidos na chamada latitude 8º, conhecida como o submédio do São Francisco.
Em sociedade com outra empresa gaúcha, a Lovara, a linha Terranova ostenta no seu portfólio variedades de tinto (Cabernet/Shiraz Reserva e Shiraz), branco (Dry Muscat), um vinho de sobremesa, o Late Harvest, que já é exportado para a República Checa com enorme aceitação, e – a menina-dos-olhos da região – espumantes (Moscatel, Brüt e Demi-sec). Os anos acumulados não foram destinados apenas a lançar e consagrar estes produtos, mas a pesquisar outras possibilidades que o terroir oferecia. Além das cepas que já são a impressão digital do São Francisco – a shiraz e a moscatel–, existem também tipos de uva que começam a entusiasmar Adriano Miolo, winemaker da Terranova. A cabernet sauvignon é um caso exemplar. Esta uva francesa, muito peculiar nos terroirs que escolhe para resultar em bom vinho, vem, segundo Adriano Miolo, surpreendendo, no Vale do São Francisco, até os mais descrentes. “No Vale dos Vinhedos (RS), por exemplo, decidimos que não valia a pena investir na cabernet sauvignon”, esclarece.
A tendência natural da Terranova – assim como das demais marcas da região – é migrar para um nicho mais elevado na pirâmide qualitativa dos vinhos, que teria no topo os ícones, seguidos pelos ultra premium, super premium, premium, básico luxo, básico semiluxo e básico popular. No São Francisco, a linha Terranova já transita razoavelmente na faixa premium (Cabernet/Shiraz Reserva e Late Harvest), emplaca mais no segmento básico luxo (todos os demais produtos) e não vinifica nenhum que esteja no cume ou na base desta pirâmide.
Embora o enólogo francês Michel Roland – consultor do Miolo Wine Group – já tenha atestado a sua descrença no potencial do São Francisco para os postos mais altos nesta escala, o fato é que um vinho só diz a que veio depois de concretizado. Hoje são os jovens e frutados, amanhã, os mais elaborados, quem sabe?
Além da cabernet sauvignon, a Terranova já deposita muita fé no produto que sairá da sua plantação de tempranillo (que deverá ser vinificado apenas no ano que vem) e, seguramente, vai empurrar mais um ou dois degraus acima os seus vinhos espumantes elaborados na “terra do sol”.






Um comentário:
Vixi!!!!
Hoje, revisitando minhas postagens, lá por 2006 encontrei um recadinho seu. Deu saudade e vim deixar um olá.
Hummm! Adoro vinho. Por aqui sempre tomamos uma tacinha de merlot ou cabernet no final do dia.
Abração
Ma
Postar um comentário