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domingo, 11 de janeiro de 2009

MERCADO DA BOA VISTA

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Barros de Alencar

20/10/07

Mistura de sons,
Os tons saídos
De gargantas secas
Ressecados e molhados,

Molhados pelos vermelhos
Dos olhos de sangue que jorram
Abundante,
Como nunca dantes.

Passando pelo inferno
E aguardando
O inverno que limpe,
A pocilga.

Levando assim,
A bexiga de volta
A Dante.

Limpando por sua vez
O que restou das rezes,
Abatidas
No chão pisado.

Na lama amassada,
Misturando
A menstruação,
Ou seria masturbação.

Que
Mistura,
A ação do tempo.

Que
O vento,
Encarregou-se,
De carregar.

A cagada
Dos velhos tons,
De velha vitrola,
Tentando suplantar
Os sons e a voz,
Da velha guarda.
Que teima,
Em guardar:
Lembranças,
Recordações,
E vivencias.

Esquecidas,
Morridas,
Moribundas,
Amarrados,
Ceifados.

Com suas bundas
Suadas,
Sentados, arrastados,
Na sujeira.

Ou quem sabe,
Na beira
Desse escárnio do tempo.

Antiga estrebaria,
Hoje, folia!
Mercado de escravos
Onde agora escrevo.

Escravizado,
Tolo,
Tom,
Atoalhado.

Coalhado,
De ébrios e
Boêmios.

Que retratam
E não tratam,
De passado
Cemitério.

Mistérios,
De como renasce
O que não nasceu,
Para reviver a historia.

Hipócrita
De quem a freqüenta.

Para matar,
Assar,
Queimar,
Saudade.

Da idade,
Não saudável
Que existiu
Ninguém viu.

Sentiu?
Apaixonou-se?
Danou-se,
No meio do centeio.

É segunda?
Não é feira,
É recitata.

Com seus loucos
Emplumados,
Achando-se
Intelectuais.

E são de botequins,
Não serafins,
Talvez, talvez...
Querubins...

Vem em turba,
Arrotam, vomitam,
Suas:

Paixões, tesões,
Fantasias,
Loucuras, devaneios.
E sentimentos.

Pergunto:
Que sentem,
Neste exato momento?

Respondem,
Que estão:
Extasiados, engasgados, anestesiados,
Pasmados, amados, assados,
Danados.

Danou-se,
Envergou-se,
Não sentiu,
Distraiu.

Como entre os tons,
Aparece o som,
E os sotaques:
Nordestinez,
Pernambuquez,
Alagoanez.

Sulista,
Onde besta,
É o bexta,
Que fala besta.

Na verdade,
Quem fala,
Com alarde,
Deste tom.

Tom,
Da velha guarda,
Dos boêmios de plantão,
Sai entoando em ingres,
Charles,
Para este freguês.

A portuguesa,
Com Paulo e o Diniz,
Meu amor chorou,
Perguntando a Jose:
E agora?

Entrando na Portela,
Saindo para engraxar...

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